Amar, Comer, Curar: A Jornada Que Transformou Nossa Mesa e Nossa Vida

Como tudo começou

Em 2012, recém‑casados e vivendo a correria de São Paulo, nossa rotina era como a de muitos casais jovens trabalhando em multinacionais: intensa, acelerada e quase sempre sem tempo para respirar. Meu escritório ficava mais longe de casa, e meu marido geralmente chegava antes de mim e preparava o jantar. Era o nosso pequeno ritual de cuidado.

Até que, em um dia raro, consegui chegar mais cedo. Quis fazer uma surpresa: “Hoje eu preparo o jantar.”

Taurina que sou, quis algo diferente do trivial e fui pra internet procurar uma receita especial. Acabei clicando na receita de uma sobremesa linda, colorida, convidativa de uma página vegan! E me apareceu um vídeo sobre a produção de ovos em granjas. Nele, pintinhos machos eram descartados e jogados vivos em máquinas trituradoras. Saíam mutilados, ainda se debatendo, direto para sacos de lixo pretos.

Eu fiquei chocada e inconformada. Aquilo não podia ser verdade.

Comecei a pesquisar a veracidade e quanto mais eu via, mais impossível se tornava continuar vivendo como se nada daquilo existisse. Vídeos sobre abatedouros, práticas industriais e a realidade por trás dos produtos de origem animal foram aparecendo um após o outro. Uma chavinha virou na minha cabeça: eu não vou continuar participando disso!

Quando meu marido chegou, sentei com ele e mostrei tudo. Perguntei: “Você sabia que era assim?” Ele também ficou chateado e concordou que em casa não compraríamos mais carnes de nenhum animal:

Nossa decisão nasceu da compaixão — simples, direta e transformadora.

Coincidência ou não, naquela mesma semana eu estava com uma reação alérgica forte nas pálpebras — uma pele extremamente ressecada, que nenhum hidratante que eu usava conseguia aliviar. Marquei consulta com uma das dermatologistas mais renomadas de São Paulo, que procedeu com um teste de contato. Foi assim que descobri que meu corpo estava intolerante a alguns componentes químicos — derivados de petróleo, e por isso cancerígenos — presentes na maioria dos produtos que temos contato.

Eu sempre voltava das minhas férias nos Estados Unidos — onde moro hoje — com a mala cheia de cremes da Victoria's Secret e sabonetes da Bath & Body Works. A médica foi direta: jogar tudo fora, e a partir dali, virar leitora de rótulos antes de ter contato com qualquer produto químico. Foi o início de uma fase inteira de novos aprendizados sobre saúde e bem-estar.

O que realmente mudou

Com medo do desconhecido, passei a pesquisar muito sobre alimentação sem crueldade e comecei a fazer acompanhamento com um nutrólogo vegano a cada 6 meses. Para minha surpresa, diante de tanto assombrio em torno de vitamina B12, os exames sempre foram  perfeitos e o medico confirmava que deficiencia de B12 na dieta vegana era um mito pois muitas vezes o deficiente na maioria dos casos é onivoro.

Depois de 3 anos dessa mudança alimentar, nos mudamos para os Estados Unidos. Aqui não existe nutrólogo e esse acompanhamento é feito pelo medico geral mas sem muita enfase na questão do tipo da dieta. Exames padrões são feitos e eles não exigem nenhuma dieta específica, apenas manter os níveis dos exames dentro do normal. No mesmo ano que nos mudamos, eu engravidei e obviamente pesquisei se seria importante voltar a comer carnes na gravidez ou se meus filhos precisariam ser introduzidos a carne em algum momento da vida deles e a resposta encontrada foi: Não! Seres humanos não precisam dos produtos de origem animal para sobreviver e portanto assim decidimos criar nossos dois filhos, hoje com 10 e 5 anos. Nunca tomaram leite de vaca, nem tiveram dieta baseada em carnes ou ovos. Mas não são veganos pois as vezes consumimos queijo, ovos, mel e tá tudo bem pois essa foi a maneira que conseguimos fazer dar certo até os dias de hoje. 

Por que estou compartilhando isso agora

Depois de quase uma década e meia nessa jornada, muitos estudos e acompanhamento profissional, descobri que o simples é o que incrivelmente vai funcionar e ainda assim, aprendi a ler rótulos dos produtos industrializados que dá pra evitar de colocar muita porcaria pra dentro do seu corpo que acabará sobrecarregando o seu fígado de toxinas, que é onde toda e qualquer doença começa. Passei a cozinhar mais em casa, entender o que era inflamação e como a comida podia ser parte do problema — ou parte da cura. Aprendi a viver de um jeito mais consciente, mais gentil com os animais, e mais gentil com o meu próprio corpo.

E se você está sozinho(a) nessa jornada, saiba que não precisa ser tão solitário nem tão confuso para quem está começando agora. É por isso que nasceu o Amar, Comer, Curar. Não é sobre regras rígidas ou perfeição. É sobre entender o que colocamos no prato e no corpo, por quê isso importa — para os animais, para o planeta, e para a nossa própria saúde — e como pequenas mudanças conscientes podem se transformar em uma vida com menos inflamação, menos toxinas, e mais leveza de verdade.

Nas próximas semanas, vou compartilhar tudo que aprendi: dos erros que cometi no início, aos alimentos que viraram essenciais na minha cozinha, até um guia prático para quem quer dar os primeiros passos de forma simples.

Você já passou por algum momento parecido, que do nada muda sua vida? Me conta nos comentários.


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